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Uma visão mais madura sobre o asana

As posturas de yoga - asanas - acabam sendo a porta de entrada por onde boa parte das pessoas inicia no caminho do yoga e, uma parte dessas pessoas, fica só nisso mesmo.

Aqui não é uma crítica sobre o que é certo ou errado em relação às escolhas das pessoas, nem sobre o que elas devem fazer. Minha intenção é apresentar um outro olhar sobre esse assunto, cabe a cada um avaliar o que é mais adequado para si.



A prática de asana-s propõe mudanças em relação a capacidade de se relacionar e compreender o próprio corpo, olhando para o que é possível ou não de fazer com ele.


Então, asana vai ser o relacionamento com o próprio corpo.


É uma conversa, bem franca.

Nos primeiros movimentos de yoga que eu ousei a fazer, senti um misto de estranheza, com breves momentos de satisfação e vários momentos e frustração. Ao contrário do que já ouvi de algumas pessoas, não senti como se yoga não fosse pra mim, na verdade eu me senti desafiada a continuar.


Meu primeiro savasana (quando deitamos ao final da prática para breves minutos de imobilidade e relaxamento) lembro até hoje, eu parecia manteiga derretida na chapa quente.

Senti meu corpo todo pulsar, o que me intrigou muito, o que seria aquilo?

O misticismo me impelia a pensar que eu deveria ser especial, por estar sentindo tudo aquilo e certamente em breve eu poderia alcançar níveis altos de consciência e receber todas as respostas diretamente na minha mente como um download.

Por mais que as práticas me ajudassem a me lembrar a me esforçar a manter a auto-observação de cada dia e também favorecer a conexão comigo mesma, muitas dúvidas eu tinha e não eram esclarecidas na prática.

Por mais que eu tivesse curiosidade em pesquisar sozinha na internet e nos livros, não encontrava muita coisa que preenchesse meu coração.

Intuitivamente eu sabia que deveria continuar e, um dia, as coisas seriam mais claras para mim.

Depois de um tempo, de alguns cursos, muitos professores, vários pontos de vistas, muito estudo, reflexão e muita prática, hoje eu consigo ver uma luz.


Certamente o que eu fui buscar no yoga anos atrás, está se revelando aos poucos.


Uma descoberta maravilhosa que tive e gostaria de compartilhar com vocês.


Recentemente meu professor deu um exemplo sensacional para explicar a importância da prática de posturas.


Pense na prática como de fosse um facão quando precisamos abrir caminho em uma floresta.

Da mesma forma que o facão, a prática nos ajuda a ir rompendo os obstáculos mais grosseiros para experimentarmos algo mais sutil.


Também vai tornando a mente mais propícia ao aquietamento que precisamos para o amadurecimento. É uma preparação.


Isso fez todo o sentido pra mim, tanto que resolvi escrever sobre isso e compartilhar.

A prática de asana atua sobre o corpo, sobre a respiração e, especialmente, sobre a mente. Transforma a mente para podermos avançar nos estudos mais profundos e poder agir com mais discernimento.

Quando começamos a praticar as posturas de yoga, o corpo está cheio de tensões e bloqueios gerados por hábitos e má postura - que podem ser substituídos por novos e mais saudáveis com o tempo.


Assim como o corpo, a mente também está inadequada para compreender corretamente as circunstâncias. Ela fica geralmente agitada, confusa, alternando entre os assuntos, sem foco e totalmente voltada para os sentidos e com o que está ao redor.

Gradualmente, com uma prática inteligente e coordenada com a respiração (vinyasa krama) o que acontece é uma mudança no padrão de percepção, tornando-nos mais sensíveis e abertos para estudar, refletir e compreender.

Asana é o exercício físico do yoga, mas com o potencial para abrir espaço para outras compreensões mais profundas e sutis do mundo interior.